"Tal como és, assim te quero, e sempre
diverso cada dia do que foste;
cada imperfeito gesto que inventares
me fará desejar-te em outro verso.
Da arte do soneto feito mestre
no concurso sem regra da floresta,
na mais pequena folha te descubro
e no caule do vento é que te perco.
Da turva luz já retirei o emblema
que me sirva de rosto permanente
e venha a cabeçalho do poema;
e pedirei à noite que me empreste
um farrapo do mando incandescente
de que se veste, agora, para ter-te".
Domingo, 8 de Abril de 2007
43
"É bem possível que só eu exista
na redoma do mundo, e o resto seja
aparição celeste ou má pintura
de cenário sem fundo e sem motivo.
Assim se explicaria não ter eco
a parede sonora que inventei,
nem me reconhecer no rastro escuro
dos gestos e palavras que fingi;
estava escrito, talvez, que escreveria
estas palavras mesmas, neste verso;
às vezes, hiperbólico, duvido
que me seja evidente o ser que sou.
Porém pensar em ti é ter seguro
outro universo inteiro onde não estou".
na redoma do mundo, e o resto seja
aparição celeste ou má pintura
de cenário sem fundo e sem motivo.
Assim se explicaria não ter eco
a parede sonora que inventei,
nem me reconhecer no rastro escuro
dos gestos e palavras que fingi;
estava escrito, talvez, que escreveria
estas palavras mesmas, neste verso;
às vezes, hiperbólico, duvido
que me seja evidente o ser que sou.
Porém pensar em ti é ter seguro
outro universo inteiro onde não estou".
Subscrever:
Mensagens (Atom)